O espaço do conhecimento cibernético traz uma verdadeira mutação antropológica

O espaço do conhecimento cibernético traz uma verdadeira mutação antropológica

Para o filósofo Levy (1996), a informação e a comunicação tornaram-se os ativos principais da sociedade contemporânea. Amparado nessa nova concepção, o saber cibernético, o espaço cibernético, segundo o mesmo autor, privilegia o processo e a relação em detrimento da substância e do estado, trazendo consigo uma verdadeira mutação antropológica. Fenômeno que ocasiona mudanças profundas na nossa maneira de pensar, de significar o mundo, de constituir relações uns com os outros, de organizar a sociedade, determinando novas abordagens para a produção e reprodução do conhecimento: a do conhecimento (da cognição) na inter-relação com a vida, e a do conhecimento (da cognição) com a reinvenção e a (re)significação do mundo e de si mesmo.

Trago para a discussão o saber cibernético nessa concepção mais abrangente, que está relacionada com uma postura paradigmática imanente a atual cibercultura, que advém de uma relação de trocas entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base microeletrônicas surgidas na década de 70. Por isso precisamos encaminhar esse debate sobre a Internet para dois enfoques que já vêm sendo discutidos.

O primeiro que leva em conta a sua existência como um fenômeno total, analisando-a em partes isoladas nas suas relações com a sociedade. O segundo parte da conjectura de que a Internet, além de constituir-se em um dispositivo tecnológico revolucionário, institui um outro espaço e tempo de interação social, dos quais devem emergir formas inovadoras e distintas de sociabilidade.

Conhecer os princípios cibernéticos e seus mecanismos hoje já não é mais tarefa atribuída a especialistas da informática ou dos ciberneticistas. É tarefa de todos que integram a chamada sociedade do conhecimento - do técnico, do administrador, do educador -, tendo em vista as inúmeras possibilidades que surgem para as organizações disseminarem informação, gerarem conhecimento e estabelecerem as suas ações de forma mais eficaz.

O mundo caminha para esse acontecimento cibernético que traz particularidades deste novo espaço-tempo, propondo desafios para todos nós. O homem precisa formar alianças com esse espaço-tempo em todas suas dimensões para não sucumbir a sua própria condição de homem, que criou esse saber digital. O vídeo a seguir reflete muito bem a geração na qual estamos vivendo. De acordo com o vídeo “Rafinha 2.0”, fazemos parte da Geração C – do Conteúdo, da Colaboração e que está Conectada o tempo todo. Certamente o mundo caminha para “Rafinhas” em série e, portanto, requerendo educação em outras dimensões.